Acalorada discussão

É o que ocorre quando nossos valores mais profundos estão envolvidos complexamente em torno de um tema…

A questão ecológica é assim. Afeta tudo o que somos e fazemos. Desperta nossas emoções, inquieta nossa alma. Pois bem sabemos – os medianamente esclarecidos – que estamos em “rota de colisão”. O estado de degradação do meio ambiente é alarmante, e a cada dia contribuimos para que piore ainda mais. O que fazer?

Estava eu, outro dia, em um grupo de amados amigos e colegas, na verdade um pequeno grupo de supervisão acadêmica em Gestalt-terapia (o trabalho que estou desenvolvendo é em torno deste tema) quando o entusiasmo inerente ao debate ecológico esquentou a discussão. E eu acabei por “esquentar o tom”, mais do que gostaria, com alguém que trago no fundo do coração… Refletindo sobre o episódio, senti vontade de me desculpar – pelo tom, não pela opinião. É que o debate esbarrou em um de meus valores mais profundos – a Liberdade. Coisas de quem pertenceu à geração (a que vibrou, não a que vaiou) “É Proibido Proibir…” – e que sofreu com o contexto em torno à canção.

Não acredito em soluções para a sobrevivência ecológica que eliminem a liberdade, a escolha que é caminho de crescimento e dignidade da pessoa humana. Precisamos é amadurecer como espécie, atingir a plenitude e a consciência de que somos capazes, educar para a valorização da Vida, pela Vida. O tema é complexo e rico, e desejei criar reflexão e diálogo em torno dele. Assim nasceu este blog.

O contexto da reflexão, aqui, será a Ecologia Profunda. Uma filosofia-movimento ambiental que questiona em profundidade nosso modo de viver e as suas consequências, incita a tornarmos públicos nossos pressupostos e valores – pois são estes valores “últimos” que serão a base das ações que iremos apoiar e das escolhas que iremos fazer, em direção a uma sociedade sustentável.

Nos próximos artigos discutirei alguns dos temas envolvidos na nossa acalorada discussão. Envio um afago, agradecida a todos vocês – nossa troca também foi boa para orientar a minha monografia.

Por enquanto, fica aqui o registro do momento que foi história:

Até breve!